quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Sobre ontem

Ontem foi um dos dias mais estranhos da minha vida. Nos vimos e eu como sempre com a minha impulsividade acabei te beijando. Assim de cara. Você chegou e eu te abracei e te beijei como se isso fosse uma coisa que a gente fosse fazer todo dia. Você ficou sem reação nenhuma, não sabia nem o que falar. Me perguntou por que eu fiz isso e eu respondi que deu vontade. E aí você sorriu e me olhou e disse que desde o primeiro dia eu te deixo sem saber o que fazer.
Meu menino de blusa sempre preta se tornou um homem de camisa pólo azul, de tênis com meia, de óculos de grau e eu sei lá, você estava tão maravilhoso ontem que eu não aguentei. Talvez fosse a coisa de longe mais irracional que eu tenha feito nos últimos tempos, te beijar assim, como se você nunca tivesse deixado de ser meu.
Seus olhos estavam incrivelmente verdes, tão verdes e tão claros que me doía olhar pra eles e me enxergar lá dentro. Aí a gente começou a conversar e eu sei lá qual dos dois começou a chorar primeiro de tanta coisa entalada na garganta. Eu sentia tanto sua falta que só sua presença ali na minha frente me fazia tão bem. E aí você se aproximou e me abraçou. Começou a me falar que me amava muito, que estava tentando melhorar porque quando viu que me perdeu, percebeu que tinha alguma coisa muito errada com sua vida. Eu não sei, eu acreditei, me pareceu real a sua tentativa de mudar, de melhorar, por você e por mim. Mas sei lá, eu sou uma otimista incorrigível. E quando você começou a me pedir perdão eu fechei a cara e lembrei de tudo, tudo, tudo. E meu coração se partiu de novo e eu não sabia mais o que fazer.  Você tava lá dizendo que eu era o amor da sua vida e eu não conseguia parar de chorar. Eu me senti uma confusão ambulante. Porque eu te amo e eu te amo muito mais do que eu achei que amasse, sabe? Se isso for possível. Aí sem querer eu soltei um "então por que você não percebeu isso antes?".
E doeu, doeu muito.
E a cada beijo que a gente trocava eu ficava querendo mais ainda você, querendo aquele homem lindo que envolvia minha cintura e me fazia rir. Parecia cena de filme. E eu devia estar horrível sem maquiagem, toda vermelha de chorar e você ficava repetindo que eu era linda e sei lá. Foram tantas coisas, tantas falas, tanta beleza nessa história de amor mal resolvida que a gente tem que eu gastaria um tempo enorme pra traduzir tudo. Basta que eu diga o seguinte aos leitores dessa narrativa estranha do meu coração: eu amo você, mesmo que agora eu não esteja preparada pra voltar pros seus braços, mesmo que no fundo eu sinta uma dúvida enorme se você está se tornando o homem que eu preciso, se não iria me deixar novamente, se não ia me deixar sair machucada e arrependida de ter acreditado em você.
Uma pessoa me disse que era melhor eu parar de falar com você, porque desse jeito eu acabo agindo como se fosse sua namorada. E essa pessoa tem razão. Uma outra disse que se amasse o cara e estivesse no meu lugar vendo e lendo tudo o que você anda se tornando já teria voltado. E ela também tem razão. Por isso eu ando no meio do caminho, nem paro de falar com você e nem volto contigo. Acho que eu preciso me descobrir primeiro, respeitar nosso tempo, porque sei lá...
Você me conhece bem e sabe o que me faz derreter e eu receio que isso possa ser um jogo pra você me ter de volta e acabar fazendo tudo errado de novo.
Você disse que esperaria o tempo que fosse preciso por mim, porque tinha certeza que eu era a mulher da sua vida. Então deixa o tempo dizer se isso é destino ou desatino, amor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário