No fundo eu queria isso, esses gestos grandes, essa fascinação, essas demonstrações públicas de afeto, só por um momento. No fundo eu sei que sou emocionalmente danificada como qualquer mulher de comédia romântica.
Sou problemática...
Não são só meus olhos, meu corpo inteiro é de ressaca.
Tudo em mim atrai e repele simultaneamente.
Tudo em mim é dual, e se deseja, no instante seguinte cria repulsa...
E se inflama, depois age com indiferença.
E se ora quer romance, ora quer momentos de brigas e gritos, pra depois querer amizade apenas.
A risada escandalosa e contagiante disfarça a angústia e a sensação de não pertencer.
Isso fica charmoso em mim, essa inconstância.
Querer conto de fadas é coisa pra meninas e eu sou mulher demais pra querer gestos grandes e fascinação o tempo todo, mas eu só queria de vez em quando. Eu só queria algumas vezes que você fosse aquele príncipe, aquele que quando as outras pessoas nos olhassem, elas digam que nós somos lindos juntos. Só queria que você prestasse atenção nas coisas que eu digo, que fizesse os meus caprichos, que fizesse minha família sorrir sem precisar dizer tantas besteiras, que gostasse de passar um tempo com meus amigos e os encantasse, que me escrevesse uma carta, que se dispusesse a fazer alguma coisa enorme pra me traduzir esse amor todo.
Meu lado menina sofre com isso, meu lado mulher me diz:
-Deixa de tolice, ele te ama mesmo com toda essa dualidade. Agradeça aos céus por isso e se contente, que amar já é mais difícil do que parece.
Com carinho e receio de querer demais (pra não perder a dualidade),