Achei no mínimo curioso uma relação que eu estabeleci pensando enquanto lavava as louças.
Todos temos um pouco de Jean Grey, sim a personagem de X Men.
Ela é uma humana que sofre um trauma muito grande e a partir disso começa a manifestar suas habilidades. Ela tem a capacidade de ler o pensamento dos outros, de controlá-los pela mente. Mas isso não é algo tão difícil de se fazer quando se estabelece um vínculo com alguém. Em alguns instantes pelo sorriso, pela maneira de olhar ou pela situação, eu sinto como se tivesse essa mesma habilidade. A de ler as pessoas, de ás vezes me comunicar com elas e ouvir o que elas tem a dizer sem que sons sejam emitidos. Mas eu achei algo ainda mais fascinante sobre ela, ela morre inúmeras vezes em vida. Estranho?
Na verdade, acredito que todos nós passamos por um processo de renovação sem perceber direito. É como se uma parte, uma característica nossa fosse substituída por outra nova. Nós renascemos muitas vezes. Depois de uma grande perda, depois de ver um sonho ser destruído, depois de uma desilusão. E aí nós morremos um pouquinho, porque fomos instruídos a viver em ordem e qualquer tipo de caos nos traz a idéia de fracasso. Mas eu não acredito que seja assim. Nós temos dois lados e ela especifica isso muito bem.
Ela luta contra si mesma, contra seu lado ruim depois de uma experiência de quase morte. Mas a força que ela adquire por se tornar mais fria é necessária para combater um mal maior do que ela. Estranho? [2]
Nem tanto. A verdade é que quando algo desperta a nossa parte ruim nós nos sentimos intocáveis durante um tempo, como se pudessemos tudo, parece que é tanta dor, que não existe mais nada que possa nos comover.
Se confíassemos no nosso potencial desde o princípio adquiriríamos uma força incrível. A dor nos fortalece mesmo porque mostra a nós a nossa pior parte, a nossa fraqueza. Uma pessoa forte, pra mim, é aquela que reconhece as suas fraquezas e não se rende a elas.
Eu acredito que nós enfrentamos batalhas internas a cada segundo. Nos vemos obrigados a obedecer um conjunto de regras falhas, de costumes ultrapassados e de necessidades mesquinhas.
A verdade é que fazer o bem é pretencioso, ninguém faz boas ações só por fazer, por hobby ou preocupados só com o próximo. Fazer boas ações, se portar apropriadamente causa uma sensação de paz interior.
Então fazemos coisas boas para nos agradar e não agradar aos outros, assim, ganharemos a confiança alheia, o respeito alheio e nos sentiremos bem conosco.
O bem é egoísta e poucas pessoas sabem sê-lo com inteligencia suficiente para escondê-la em tanta delicadeza.
Nós somos ruins por essência, mas algumas vezes é necessário ser ruim para evitar que alguém pior faça mal aos outros ou a nós mesmos. As vezes ser ruim consiste em tomar as decisões certas e isso não é fácil.
Outro aspecto muito interessante sobre ela é como ela estabelece seus relacionamentos, como ela é desejada pelo Anjo, pelo Wolwerine e até pelo tímido Scott, o Ciclope. Ela é doce de uma maneira sutil, é inteligente e independente e ao mesmo tempo um pouco submissa no campo amoroso. Acho que essas são características essenciais numa mulher. A Jean é uma pessoa sem exageros, mas que busca o poder, ser mais e melhor, e sabe liderar.
Todos nós temos um pouco de Jean Grey, de batalhas internas, de bom e de ruim, de doce e frio, de quente e azedo, e para saber ler os outros é só parar para observar a nós mesmos.