terça-feira, 22 de maio de 2012

Nossa noite

Estava decidida a atendê-lo plenamente naquela noite, estava cansada das brigas e dos sumiços. Pedi pra que ele chegasse cedo naquela noite, na nossa noite.
Tomei um bom banho cheio de essências, lavei o cabelo, brinquei com a espuma na banheira até aparecerem linhas em meus dedos, levantei, peguei a toalha, sequei-me, sequei meu cabelo, passei aquele óleo com cheiro de ylang ylang, botei minha camisola vermelha, me maquiei toda e deitei esperando por ele. Unhas feitas, pele macia, comida quentinha, paciência de sobra e amor em excesso.
Acordei de madrugada e o relógio acusava: 4:03.
Nada de ele aparecer. Foi aí que eu ouvi o barulho da chave no trinco da porta e aquele passo silencioso tentando disfarçar. Ele girou a maçaneta da porta e me olhou deitada de olhos fechados. Ouvi o barulho dele desatando a gravata, tirando o sapato e a meia.
- Você chegou tarde demais.
- Ah, me desculpe, tive que resolver umas coisas na rua, volte a dormir.
- Estou cansada de desculpas, acho que você não entendeu ainda, você chegou tarde demais. Até agora eu segurei sua mão, preparei sua comida, te dei carinho e não sou mais obrigada a receber tanta desatenção em troca. Você foi quem chegou tarde demais pra tentar reparar qualquer engano, ou pra remendar o que foi quebrado. Que você volte a dormir, mas não nessa cama e nem nessa casa, isso aqui é lugar de um homem, coisa que você não é faz tempo.
Lembro de ter ouvido o barulho da gaveta se abrindo, do guarda-rooupa também, depois do zíper da mala. E depois as lágrimas pretas de rímel e cajal caindo no silêncio, que era a palavra que definiria nossa última noite e tantas outras noites antes.
Pesarosamente,

Capitu.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Dr. Acula

Aonde te busco, te acho. Na sala e na sola do sapato.
Na brancura da tua roupa ou do teu dente.
Céus, você deixou meu coração doente.
Me cura, doutor? Me receite beijar seus lábios com ardor?
Por que eu me inundei de desejo desde que percebi os teus olhos gentis e o som da sua voz.
Olho pra você e penso em nós.
No desatar,
No ato, no ar, até no altar.
Penso em me deitar ao seu lado e ser teu violão.
Penso em você poetizando meu corpo em canção.
Penso no teu toque ritmado, na sinfonia dos seus passos na minha direção.
Penso na beira da praia, no subir da ladeira, na tua risada, num banho de banheira.
E de tanto imaginar, sonhei que me tomavas como tua, nos amávamos feito gatos no meio da rua.
Acordei com o rosto quente banhado de Sol e por átimos senti teu cheiro no lençol.
Eu te diria oi mas você não vai me reconhecer.
Mas quando eu entrar na sua vida de vez, vai ser tudo tão intenso que eu juro que você não vai se esquecer.