quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O tempo em que eu desisti

Tudo costumava ser fácil, menos confuso e mais maravilhoso.
Era fácil quando nos víamos todos os dias.
Era simples assim, como bocejar quando se está com sono.
Uma amizade natural e eterna.
Eterna até o fim.
Parece contradição?Talvez seja.
Talvez fosse ilusão minha acreditar que por um instante
Eu pudesse ter a mesma importância que vocês tinham pra mim.
E não foi preciso muito tempo.
Seis meses.
Seis meses em que eu sentia a falta de vocês.
Seis meses em que eu ligava ainda.
Foi o bastante pra perceber que o elo entre vocês era mais forte
Do que o meu poderia vir a ser
Não era a mesma coisa.
Mas aí, dois anos depois do fim eu me pergunto
Se só na minha memória vivem aqueles momentos
A Coca-Cola cheia de canudos
De Caios, Eduardos e frangos
Da linguinha dada pra menina do espelho
Na mania de colocar atrás da orelha o cabelo
As lágrimas, as grosserias, a briga que resultaria na nossa amizade.
E na nossa amizade.
Os tempos em que você era meu maridinho
E dos nossos jogos de queimada depois da aula
Das cartas cheias de ironias.
De aspas dois pontos
As duas coisas
Das confidências
Da festa surpresa na sua casa
Daquele ano novo passado juntos.
E eu sei que eu me esforcei pra manter isso
Eu sei.
Eu só esperava um bilhete, um email, um telefonema
Que não veio
Pra me garantir que era só na minha memória que isso vivia.
E se eu tivesse a mesma importância as coisas teriam sido diferentes
E eu senti raiva
Por que eu só tinha vocês dois
Por que vocês importavam
Por um tempo eram as únicas pessoas nas quais eu confiaria minha vida.
Mas vocês nem devem lembrar,
Acharam outros amigos pra brincar
E eu achando que vocês lembrariam.
O fato é que apesar de tudo
Eu ainda amo vocês dois
E os momentos que nós três vivemos
Foram os mais doces da minha infância
Foi ingenuidade minha
Acreditar que isso perduraria
Que a saudade não machucaria
Mas eu ainda espero aquele telefonema.
É, quem sabe, um dia...

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