quarta-feira, 15 de setembro de 2010

É hora de seguir em frente


Existia um lugar naquela praça, embaixo de um mangueira, onde costumávamos nos encontrar. Você se lembra? E levávamos um lençol na mochila e cobríamos o banquinho da praça, todo dia, você sentava primeiro apoiando um braço flexionado na parte de cima do banco e com o outro batia na perna. Meu melhor amigo, meu namorado e nossos religiosos encontros. Eu me deitava com a cabeça nas suas pernas, normalmente com a mão sobre os olhos pra impedir que o sol me proibisse de ver os seus. Os céus. E era sempre assim, sempre "como foi seu dia?" ou carinhos, os beijos e a generosidade "não se preocupe, tudo vai dar certo". Sorríamos genuínamente e contávamos segredos não contáveis.
Mas tudo seria diferente naquele verão, não seria?
Tudo mudaria naquele dia.
"Eu vou ter que mudar daqui, Tina, acho que vou pra Buenos Aires, temos família lá."
Desolação.
Lágrimas.
"Sua mãe, né?"
"Te disse que ela não suporta mais esse lugar desde que se separou do meu pai"
"E como vai ser, você vai vir visitar seu pai, né?"
"Vou sim e vou vir te ver em cada chance que eu tiver"
Chorávamos.
"Você sabe que eu te amo"
"Você sabe que eu te amo"
"Olha o lado bom, tem webcam hoje em dia e MSN e orkut, não vamos nos separar, pequena, lhe prometo."
"Mas vai ser horrível. Doloroso demais... Não sei ficar sem você, Gus".
E ele continuou voltando, durante dois anos...
Até que conheceu Samantha e resolveu trazê-la junto com ele. Sofri.
E depois dela, um ano depois veio Helena, com quem se casaria no fim desse mês.
"Venha, você sempre significou muito pra mim, pago sua passagem e você pode ficar na casa de mamãe"
Tsc.
Não ia.
"Você sempre foi o amor da minha vida."
Respondi no cartão.
"Pena que os amores cessam de um lado só... Não simultaneamente"
E foi assim, lindo, e parecia pra sempre, pra sempre aquela vida, os passarinhos, o banco da praça e o dia quente, mas cessou.
Exatamente como o verão.

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